RIO ART ROCK FESTIVAL 2008

29/12/2008 at 14:37 (Matérias) ()

No dia 15 de Novembro aconteceu o a 13ª edição do RIO ART ROCK FESTIVAL, um dos mais antigos e tradicionais Festivais de Rock Progressivo do mundo.

Por ele já se apresentaram verdadeiros ícones da música progressiva mundial, tais como o holandês Focus, os ingleses Nektar, Caravan e Pendragon, os italianos Le Orme e Banco Del Mutuo Soccorso e os nossos conterrâneos Sagrado Coração da Terra, Sérgio Dias, O Terço, Bacamarte, Violeta de Outono e Apocalypse.

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Rio Art Rock Festival: http://www.rocksymphony.com/rioartrock/

Realizado no excelente Teatro  Popular de Niterói (RJ), imponente e moderno projeto de Oscar Niemeyer, contou com a apresentação das bandas brasileiras ALPHA III e AETHER e da argentina ÜNDER LINDEN.

Curiosamente, o maior destaque ficou logo para a banda de abertura: o ALPHA III, que, apesar de seus mais de 25 anos de existência, jamais havia se apresentado no estado do Rio de Janeiro.

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Alpha III: http://www.myspace.com/alphaiii

Liderado pelo multi-instrumentista paulista Amyr Cantusio Jr., a banda já teve diversas formações, sendo que a atual conta com o baterista Fábio Fernandes (atuou brilhantemente no show, integra também as bandas “Lumina” e “Banda do Sol”) e o tecladista Marcelo Diniz.

Com Amyr encarregando-se de diversos teclados e dos eventuais vocais, o repertório incluiu uma breve retrospectiva de alguns dos cerca de 20 CDs e LPs (entre oficiais e extra-oficiais) já lançados pela banda.

Seguindo essencialmente a linha do Progressivo Eletrônico setentista, fizeram um apresentação excelente, com climas “viajantes” e timbres variados e belíssimos, transportando a audiência para uma verdadeira “Space Odyssey”.

O único detalhe a se lamentar foi o  tempo de apresentação  ter sido curto (cerca de 1 hora), o que, com certeza deixou um gostinho de “quero mais” em toda a platéia.

Em termos históricos gerais, o ALPHA III pode ser considerado um dos mais importantes grupos do Progressivo/Eletrônico nacional, não somente por ter surgido em um período extremamente ingrato (os anos 80) como também pela sua longa carreira e extensa discografia.

Some-se ainda o fato de ter tido alguns de seus trabalhos editados pelas importantes gravadoras FAUNUS (a pioneira no Brasil em produzir álbuns do gênero), ROCK SYMPHONY (a brasileira com maior número de lançamentos) e MELLOW RECORDS (italiana, foi uma das principais a resgatar o estilo em escala mundial).

Entre seus seus principais lançamentos estão “Sombras” (1986), “Ruínas Circulares” (1987), “The Aleph” (1989) e “The Voyage to Ixtlan” (1993)

Impossível esquecer também do magistral trabalho registrado em 1974 do grupo SPECTRO: Infelizmente, porém, nunca foi lançado oficialmente em CD ou LP e o registro que existe é apenas um CD-R estilizado. Além disso, a qualidade do áudio é baixa e o torna um item quase exclusivo dos colecionadores.

Imagina-se, porém, o quanto devem ter sido interessantes e surpreendentes os shows dessa banda na época.

AETHER: Grupo carioca constituído por Vinicius Brazil (guitarras), Alberto Curi (teclados, vocal), Fernando Carvalho (baixo) e Mario Leme (bateria), apresentaram-se em seguida. Sofreram com alguns problemas de som, mas fizeram seu show com competência, executando músicas do seu 2º e belo disco, intitulado “Inner Voyages Between our Shadows”.

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Aether: http://www.rockprogressivo.com.br/aether/

Infelizmente, seu tempo de show também foi curto. No entanto, por se apresentarem com mais constância no Rio, a platéia aceitou melhor o fato.

ÜNDER LINDEN: A Atração internacional da noite apresentou-se corretamente, mostrando composições instrumentais de arranjo sinfônico e repletas de belas melodias.

Criado em 2001 como trio de guitarra, baixo e bateria (Ignacio Scarsella, Jorge Dalcin e  Mario Gimeno, respectivamente), em pouco tempo tornaram-se um quarteto, com a entrada da tecladista e Gabriela Gonzalez (teclados). Em dezembro de 2003, realizam sua primeira apresentação, com Roberto Medina no violino, no festival “Sinfo-Prog La Plata”, junto às bandas Baalbek, Retsam Suriv e Hexatónica, todas da cidade de La Plata.

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Ünder Linder: http://www.under-linden.com.ar/

Algum tempo depois, Scarsella saiu e em abril de 2006 Juan Gonzalez  entrou em seu lugar.

Em fevereiro de 2007, a banda adiciona o tecladista Ezequiel Flores e no mesmo ano é editado seu 1º e excelente CD.  Levando o mesmo nome da banda, este CD foi editado pelo selo Viajero Inmóvil.

Em relação ao show, o cômputo geral foi agradável, mas algumas músicas soaram repetitivas e, mesmo possuindo belas melodias, cansaram um pouco parte da platéia, principalmente porque praticamente ninguém ainda a conhecia.

Considerações Finais

É indiscutível que o Rio Art Rock Festival está passando por um momento difícil, já tendo atingido um nível extraordinariamente alto e regredido consideravelmente.

Apesar disso e de tantas previsões fúnebres acontecidas nos último 3 anos, permaneceu ativo, em ato de grande heroísmo.

Para felicidade geral, em 2009 novamente acontecerá, já com a confirmação da fantástica banda tcheca MODRY EFEKT / BLUE EFFECT, liderada pelo genial guitarrista Radim Hladik, um dos mais brilhantes em toda a história do Progressivo mundial e com mais de 40 anos de carreira.

Será necessário, porém, que o público prestigie REALMENTE o próximo evento, não somente para assistir a esse ícone, como pelo simples fato de ser uma rara oportunidade para encontrar velhos e novos amigos para conversar sobre esse assunto tão desprezado e odiado pela mídia, chamado ROCK PROGRESSIVO.

 

Por Claudio Fonzi

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